Passageiros sofrem com ônibus lotados em Campo Grande
e Realengo RIO
DE JANEIRO - 24/09/2008 16h32 DA
REDAÇÃO REVISTA
DO ÔNIBUS
Quem reside em Campo Grande e bairros vizinhos
e precisa trabalhar no Centro do Rio de Janeiro, vem sofrendo
com o transporte coletivo. Superlotação e atrazo,
são algumas das reclamações mais freqüentes
dos passageiros.
As 18h, horário em que muitos cariocas largam do trabalho,
horário onde começa uma verdadeira batalha para
chegar em casa. Pontos de ônibus lotados, e fila enormes,
são só o começo de uma longa jornada
de volta para casa. No Centro do Rio, quem precisar voltar
para o bairro de Campo Grande na Zona Oeste da cidade, sofre.
“A gente fica meia hora, quase duas horas aqui esperando o
ônibus”, reclama uma passageira. Wanderley da Silva, que mora
em Campo Grande, trabalha como feirante. Diz que também perde
tempo do lado de fora do ônibus: “Hoje até está bom, tem dia
que são quatro, cinco filas”.
Uma reportagem da TV Globo mostrou com detalhes o sofrimento
dos passageiros. Na reportagem, Wanderley conseguiu viajar
sentado, mas o ônibus já saiu do ponto com passageiros em
pé. Em pouco tempo, o corredor fica cheio de gente. Algumas
pessoas viajam sentadas no motor. Além de proibido, é um risco
a mais. “Hoje está dando para vir, mas tem dia de o pessoal
vir pendurado aqui, é uma falta de respeito tremenda com o
trabalhador”, queixa-se o vendedor Felipe Prado. Duas horas
e meia depois, Wanderley desce no ponto da Estrada do Mendanha,
mas a volta para casa ainda não terminou. Onde ele mora não
passa ônibus e, depois de um dia de trabalho e da viagem cansativa,
o feirante ainda precisa de disposição.
Pela manhã, a mesma equipe de TV, esteve em Campo Grande
para motrar como é chegar ao Centro do Rio. Às 4h30,
os passageiros que estavam indo para o trabalho e já havia
reclamação. “É horrível, não tem quase ônibus”, contou uma
moradora do bairro. Segundo eles, sobram ônibus expressos.
Eles são mais caros e passam vazios. “Só um é parador, o restante
é direto”, afirma o motorista Leomar Tavares. Amanheceu e
Gilvane corre para não perder a condução. Em Campo Grande,
o ônibus ainda não está cheio, mas alguns passageiros viajam
na porta. No trajeto até o Centro do Rio, são várias paradas.
Na primeira, em Vila Kennedy, dezenas de pessoas sobem e o
ônibus lota. “Todos os dias, cheio desse jeito e às vezes
até mais cheio”, garante a costureira Edna Passos de Oliveira.
Uma mulher viaja sentada no degrau. “É horrível acordar às
4h, ficar na fila, esperando para pegar um ônibus assim, principalmente
eu que sou deficiente e venho assim sentada na escada”, lamenta
a vendedora ambulante Lozanira de Fátima. Gilvane vai em pé.
Perde tempo no engarrafamento. Só consegue sentar já no Centro
da cidade. Depois de mais de duas horas, ela finalmente chega
ao trabalho e atrasada. “Não tem como evitar isso”, conforma-se.
“Ela está atrasada 25 minutos”, calcula a chefe.
A empresa Oriental, responsável pela linha Campo Grande
x Centro, não comentou o assunto. Já o Rioônibus
informou que os moradores da região têm razão em reclamar,
porque a situação dos ônibus na Zona Oeste é crítica. Por
isso, está em fase de conclusão um projeto que será apresentado
ao novo prefeito e que prevê a construção de dois terminais,
um em Bangu e outro em Campo Grande, com o uso de ônibus articulados,
bilhete único e faixas exclusivas para ônibus. Se o projeto
for aprovado, tudo isso começa a funcionar em seis meses.
A Secretaria Municipal de Transportes afirmou que já fez uma
licitação para corrigir a falta de ônibus na Zona Oeste, mas
o processo foi suspenso pela Justiça a pedido das empresas.
E para diminuir o problema, tem realizado um sistema de integração
ônibus-trens.
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