12 empresas de ônibus estão
envolvidas na fraude do RioCard RIO
- 10/12/2009 08h12 DA
REDAÇÃO REVISTA
DO ÔNIBUS
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REPRODUÇÃO DE TV Auditoria realizada pela Federação das
Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de
Janeiro (Fetranspor) no sistema RioCard detectou o envolvimento
de 12 viações com a fraude do cartão eletrônico. A maioria
opera em linhas na Baixada e Campos. Outra empresa, de Macaé,
foi excluída da bilhetagem eletrônica após receber várias
advertências devido a fraudes.
Na tentativa de frear as irregularidades, a Fetranspor impôs
um 'programa de cotas' a algumas empresas. O número de passagens
pagas com o RioCard foi limitado: o que ultrapassa não é reembolsado.
Outras seis empresas estão na mira da Delegacia de Defesa
dos Serviços Delegados. Escutas telefônicas revelam a participação
de diretores no esquema. Eles compravam os cartões - obtidos
pelo bando pela metade do valor - e descarregavam os créditos
integralmente nos seus coletivos.
Terça-feira, a Operação Fim de Linha prendeu 13 pessoas acusadas
de fraudar cartões do RioCard e vales-refeição e roubar da
SuperVia máquinas de recarga de cartões.
Segundo o delegado Eduardo Freitas, os responsáveis pelas
empresas de ônibus citadas pelos acusados nos 'grampos' serão
chamados a depor. "Há suspeita de envolvimento tanto de empresários
quanto de funcionários de outros órgãos", disse o delegado.
Nas escutas, acusados citam funcionários de banco, da Fetranspor,
do RioCard e de empresas de vale-refeição.
Apontado como um dos líderes da quadrilha, Leomárcio Detoni,
dono da viação Serra do Piloto, de Mangaratiba, é flagrado
falando de seus supostos contatos nas empresas Transmil, Oriental,
Blanco, Pavunense, Niturve, Feital e LM, onde, segundo a polícia,
os cartões eram descarregados.
Num dos trechos gravados ele diz ter recebido R$ 4 mil de
Alexandre Magno da Silva. Dono da viação Oriental, Alexandre
foi executado a tiros semana passada em Santíssimo. "Não sabemos
ainda se eles têm envolvimento no crime", ressaltou o delegado.
O Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro
(RioÔnibus) informou que só vai se pronunciar ao final das
investigações. A Viação Blanco afirmou que não foi procurada
pela polícia e que não crê em fraudes na empresa.
As investigações mostram que 14 empresas foram criadas, possivelmente
para lavar o dinheiro arrecadado com a fraude. Algumas estariam
em nome de Leomárcio e outras camufladas com 'laranjas'. Ontem,
um desses testas de ferro confirmou à polícia que Jorge dos
Reis Lima, preso na Operação Fim de Linha, usou seu nome para
abrir um minimercado.
Os estabelecimentos variam entre restaurantes, mercados, açougues
e outros em que se pode usar máquinas para descarregar vales-refeição
e alimentação. O grupo tem até lotérica.
O negócio era lucrativo: Leomárcio, a mulher dele (Erilene
Detoni, também presa) e os comparsas falam em movimentações
de até R$ 500 mil. Em uma conversa, Leomárcio diz que gastará
"uma merreca, uns R$ 10 mil" para dar baixa em uma firma e
que faturou o mesmo em Campo Grande em um dia. O líder do
esquema também comprou apartamento em Nova Iguaçu por R$ 365
mil. A filha de 18 anos de Leomárcio atuava nos negócios.
Em um dos diálogos gravados, ele dá a entender que foi extorquido
por policiais civis e que pagaria pelo menos R$ 15 mil a um
secretário para pôr em funcionamento linha de ônibus em Mangaratiba.
A polícia diz que não confirmou envolvimento de políticos
no esquema. A Prefeitura de Mangaratiba informou que, se for
comprovado o envolvimento de algum secretário, vai tomar as
medidas cabíveis.
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